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Drácula: Crítica da 1ª Temporada

Série dos mesmos criadores de Sherlock começa excelente, porém chega a caminho irregular.

NOTA: 3,0 / 5,0

Potencial desperdiçado. Assim pode ser descrita a nova série da Netflix/BBC, Drácula. Inspirada na obra de Bram Stoker, a produção de apenas três episódios — de 1h30 cada um — busca reinventar a história do vampiro mais famoso da literatura (e dos cinemas), sob o olhar criativo de Mark Gatiss e Steven Moffat, responsáveis pelo sucesso de Sherlock e Doctor Who.

A trama começa muito bem, com reflexos da sociedade atual, frases ácidas, mistérios e uma pitada de “lenda”. Todos os elementos clássicos de Drácula estão lá: o sangue, as noivas do Conde, as estacas, o medo da cruz e do sol, e não poder entrar em um lugar sem ser convidado. Até mesmo os personagens são os mesmos do livro de Stoker, mas com uma sutil (ou nem tanto) mudança em relação à obra original.

 

Netflix / BBC

 

Ambientada à princípio nos anos 1837, o seriado permeia por encontros de Drácula (Claes Bang) com suas presas, ao longo de três arcos praticamente distintos. Começa em seu misterioso castelo, parte para um navio — em um capítulo quase “engarrafado” com ares de Assassinato no Expresso do Oriente — e posteriormente, para o Reino Unido. Seus dois primeiros episódios são excelentes, repletos de mistério, tensão, emoção e reviravoltas. No entanto, a minissérie se torna uma produção completamente diferente, com outro foco, em seu terceiro capítulo, parecendo quase Lucifer. Não é spoiler dizer que a produção nos leva à modernidade, em um arco que poderia ser o mais interessante dos três, mas acaba se tornando o mais decepcionante deles.

O interessante é que a série aposta em variados tons de mistérios, com episódios contados de trás para frente, desafiando a sabedoria do espectador. Aos poucos, vai apresentando seu protagonista — primeiro pelos olhos temerosos de Jonathan Harker (John Heffernan) e os curiosos de Irmã Agatha (Dolly Wells), depois pela narração do próprio Drácula e, finalmente, pelo temor de Jack (Matthew Beard) e o encanto de Lucy (Lydia West). 

 

Netflix / BBC

 

Assim, Drácula torna-se mais sedutora do que assustadora, apesar de ter efeitos práticos e maquiagens que podem incitar medo, e cenas tão sangrentas quanto pode-se esperar de uma produção sobre vampiros. Nota-se um padrão nas escritas de Steven Moffat e Mark Gatiss, que tornam as histórias menos sobre os enredos que retratam e mais sobre um duelo, uma briga sobre quem é o mais esperto — fato muito bem atuado e escancarado entre os personagens de Bang e Wells.

 

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Claes Bang consegue inserir diversas camadas e entregar um Drácula que é sedutor, no entanto, fragilizado; seguro de si, se achando superior aos demais; e ainda curioso com o universo que o permeia, inclusive na ida ao Novo Mundo. Sua atuação beira o teatral, tratando-se de uma versão praticamente Hollywoodiana, mas consegue tornar o personagem verossímil, mais real, diante das circunstâncias sobrenaturais da trama.

Outro destaque positivo é Dolly Wells, intérprete da Irmã Agatha. Suas tiradas ácidas, fruto do texto de Moffat e Gatiss, aparecem em todos os capítulos, enquanto a atriz entrega uma personagem complexa, questionadora e que impõe presença em cena. Wells e Bang protagonizam algumas das melhores sequências da produção, sendo as principais delas a cena do convento no primeiro episódio, em que não deixam a peteca cair durante um debate inflamado, e a do jogo de xadrez.

 

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Apesar de apresentar uma série de elementos e sequências envolventes, atuações exímias e efeitos surpreendentes, Drácula peca em perder o foco em seu desfecho. Ainda que tenha sido interessante o modo como os criadores escolheram terminar a minissérie, a produção tinha potencial de ser melhor, manter a qualidade apresentada no início, e falhou, dando a sensação de que a história poderia ter somente dois bons episódios.

FONTE: AdoroCinema
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